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Text-Archiv 5 Companhia Pernas Pro Ar
Navalha Cortou
Companhia Pernas Pro Ar, joga solto, joga dentro
Na beira do mar
Capoeira é um jogo
A beira de uma cachoeira vou jogar
Eu sou a capoeira
O São Bento me fez chorar
Meu canto vai te levar
Negro Banto
Cabana de Sapê
Luta de libertação
Navalha Cortou
Autor: Rodrigo César Ribeiro Nunes (Lobinho)
Companhia Pernas Pro Ar/Sete Lagoas
©2002
Naquele tempo malandragem e malícia
Duas armas que andavam lado a lado na Bahia
O bom malandro também era malicioso
E com ele carregava uma navalha no bolso.
Na hora da dor sacava sua navalha
Na jugular do traiçeiro o sangue derramava.
CÔRO
Navalha cortou, deixa, deixa cortar
A jugular do traiçeiro camará
N´hora da vadiação emboscada acontecia
Mas o negro era esperto com a navalha se previa
A navalha já aberta logo enterrada
Na jugular do traiçeiro que se dizia camarada
CÔRO
Navalha cortou, deixa, deixa cortar
A jugular do traiçeiro camará
Desse corte afiado não se pode escapar
Se no peito for tocado o sangue vai derramar
CÔRO
Navalha cortou, deixa, deixa cortar
A jugular do traiçeiro camará
Entre o pescoço e a navalha só uma coisa haveria de ter
Era um tal lenço de seda que a navalha não podia ver.
CÔRO
Navalha cortou, deixa, deixa cortar
A jugular do traiçeiro camará
Companhia Pernas Pro Ar, joga solto, joga dentro
Autor: Rodrigo César Ribeiro Nunes (Lobinho)
Companhia Pernas Pro Ar/Sete Lagoas
©2002
CÔRO
Companhia Pernas Pro Ar, joga solto, joga dentro
Mas não tira a liberdade do capoeira balançar
O prazer da capoeira cadenciado o balançado
Deu origem a esse grupo que não pode ser derrubado
No mundo da capoeira a Companhia chegou
Com Boca de Peixe em Minas e o Porquinho no exterior
Navegando em horizontes onde o batuque é desejado
Capoeira é jogada nos pés do moleque mau criado
Na roda de capoeira mostramos o nosso valor
Pode ser jogo de dentro ou jogo de fora que eu vou
Na beira do mar
Autor: Rodrigo César Ribeiro Nunes (Lobinho)
Companhia Pernas Pro Ar/Sete Lagoas
©2002
De manhã logo cedo antes do galo cantar
Já abriram o mercado para a roda começar
Na beira, na beira
CÔRO
Na beira do mar
No mercado da prainha você pode encontrar
Patuá, colar de conchas e roda de capoeira
Na beira, na beira
CÔRO
Na beira do mar
Berimbau tocou bem alto de longe pude escutar
Pois estava no mercado lá na beira do mar
Na beira, na beira
CÔRO
Na beira do mar
Menina de pé descalço no mercado não está
Mas deixou trilha na areia vou seguir e te encontrar
Na beira, na beira
CÔRO
Na beira do mar
Capoeira é um jogo
Autor:Lobinho e Boca de Peixe
Companhia Pernas Pro Ar/Sete Lagoas
©2002
CÔRO
Capoeira é um jogo, jogo de vadiação
Ontem ela foi querrilha, luta de libertação
Veio de Luanda pra no Brasil se libertar
Trazendo toque de Angola que é gostoso de jogar
Trouxe magia, respeito e dedicação
Mostrando a vida com muito mais inspiração
CÔRO
Capoeira é um jogo, jogo de vadiação
Ontem ela foi querrilha, luta de libertação
Na percussão Mestre Bimba que falou
Me traga um berimba e dois pandeiros por favor
Mestre Pastinha queria três berimbaus
Um atabaque, um pandeiro, reco-reco e agogô
CÔRO
Capoeira é um jogo, jogo de vadiação
Ontem ela foi querrilha, luta de libertação
Tem jogo de esqunta banho, jogo que dá uma canseira
Também tem jogo manhoso que dá pra jogar a noite inteira
CÔRO
Capoeira é um jogo, jogo de vadiação
Ontem ela foi querrilha, luta de libertação
A beira de uma cachoeira vou jogar
Autor: Rodrigo César Ribeiro Nunes (Lobinho)
Companhia Pernas Pro Ar/Sete Lagoas
©2002
CÔRO
A beira de uma cachoeira vou jogar
A beira de uma cachoeira vou jogar
Já joguei sob a luz do luar
E também na areia do mar
Mas á beira de uma cachoeira
è a primeira vez que eu vou jogar
Com a manhã de um São Paulo
E o arrepio de um lamento
Com cuidado para não cair
Numa armadilha de um jogo de dentro.
Na gíria da malandragem
Bom malandro dizia
Dedo no olho é doce
Na hora da covardia.
Eu sou a capoeira
Autor: Rodrigo César Ribeiro Nunes (Lobinho)
Companhia Pernas Pro Ar/Sete Lagoas
©2002
Eu sou a capoeira luta ou arte popular
Também posso ser cultura ou coisa que alguém ouviu falar
Da senzala eu saia para o mundo encontrar
Como o assoprar do vento encontra as ondas do mar
CÔRO
Eu sou a capoeira iô iô ô
Luta afro-brasileira iá iá á
No balanço amandingado, já joguei versos pra iaiá
Enciumei i tal Sinhô, ai meu Deus, encontrei a tal Sinhá
As estrelas de noitinha vinham para visitar
Os bambas que ali jogavam sobre o clarão do luar.
CÔRO
Eu sou a capoeira iô iô ô
Luta afro-brasileira iá iá á
O berimbau me acompanha como a ingazeira o ingá
Como osino a igreja, como a noite o luar
Vestido com o manto de pele negra com que nasceu
Hoje a cor é indefinida, capoeira sou eu.
CÔRO
Eu sou a capoeira iô iô ô
Luta afro-brasileira iá iá á
O São Bento me fez chorar
Autor: Rodrigo César Ribeiro Nunes (Lobinho)
Companhia Pernas Pro Ar/Sete Lagoas
©2002
CÔRO
O São Bento me fez chorar
Na batida e no cantar
CÔRO
O São Bento me fez chorar
Me fez chorar e arrepiar
CÔRO
O São Bento me fez chorar
Me fez chorar, me fez chorar
CÔRO
O São Bento me fez chorar
Com a retina do meu coração
Vejo e sinto grande emoção
Me pergunto o que fez acontecer
Os meus olhos marejarem
uma lágrima descer
CÔRO
O São Bento me fez chorar
Na batida e no cantar
CÔRO
O São Bento me fez chorar
Me fez chorar e arrepiar
CÔRO
O São Bento me fez chorar
Me fez chorar, me fez chorar
CÔRO
O São Bento me fez chorar
Foi a batida no arame
Que fez essa lágrima rolar
Quando o São Bento bateu
No refúgio da cabeça
O axé aconteceu
CÔRO
O São Bento me fez chorar
Na batida e no cantar
CÔRO
O São Bento me fez chorar
Me fez chorar e arrepiar
CÔRO
O São Bento me fez chorar
Me fez chorar, me fez chorar
Meu canto vai te levar
Autor: Rodrigo César Ribeiro Nunes (Lobinho)
Companhia Pernas Pro Ar/Sete Lagoas
©2002
Oi nessa roda o capoeira quer jogar
Mas se não cantar no Pelourinho vai ficar
Mas se cantar e Sinhozinho gostar
Ele vai até deixar namorar com a Iaiá.
CÔRO
E aí Iaiá meu canto vai te levar
Vou lhe por na minha rede
Ensinar você amar.
Sinhozinho gostou e até elogiou
Ela disse eu vou ficar com quem fizer arrepiar
O meu corpo faceiro da cabeça ao calcanhar
CÔRO
E aí Iaiá meu canto vai te levar
Vou lhe por na minha rede
Ensinar você amar.
O capoeira gostou desse desafio e cantou em alta voz
Como um bicho no cio encantando a todos nós
E vencendo o desafio porque foi no coração
Que ela sentiu um arrepio
CÔRO
E aí Iaiá meu canto vai te levar
Vou lhe por na minha rede
Ensinar você amar.
Negro Banto
Autor: Rodrigo César Ribeiro Nunes (Lobinho)
Companhia Pernas Pro Ar/Sete Lagoas
©2002
CÔRO
Negro Banto, negro Banto
Negro Banto da Guiné
Capoeira é uma luta
Pra homem, menino e mulher
Negro Banto, negro Banto nada podia fazer
Sem a luta capoeira não tinha como se defender
Uma vida alvoraçada cheia de lamentaoções
Foi vida de negro Banto cantada em belas canções
Negro Banto batuqueiro faz meu coração cantar
Me arrepia o corpo inteiro morena na roda a jogar
Sem mulher na capoeira como eu ia fazer
Pra cantar em alta voz:"morena eu vim pra lhe ver!"
Cabana de Sapê
Autor: Lobin
Beteiligung: Sorriso
A beira do pecipício uma cabana de sapé
Sesmaria de uma légua com fundo sobre o sertão
Fugindo do capitão-do-mato que tinha um punhal em sua mão
Desci pelas trepadeiras chegando pelo fundo do sertão
CÔRO
Se não fosse a capoeira que na senzala eu conheci
Nas mão do capitão-do-mato minha vida teria fim
Logo a frente da cabana uma porta de jacarandá
Preparei uma armadilha para o capitão não me pegar
Me escondi nas gameleiras, no seu pescoço eu pulei
Derrubei-lhe do cavalo, então com ele relutei
CÔRO
Se não fosse a capoeira que na senzala eu conheci
Nas mão do capitão-do-mato minha vida teria fim
E depois dessa batalha um sussurro bem perto eu ouvia
Era o sussurro de uma donzela que por ali se escondia
Com seu jeito faceiro e olhar malicioso
Era do tipo brasileiro: encantador e majetoso
CÔRO
Se não fosse a capoeira que na senzala eu conheci
Nas mão do capitão-do-mato minha vida teria fim
Tinha pele morena e aquele aroma de benjoim
Logo uma brisa o ajudava a ser espalhado por ali
Cabelos encarolados com uma negridão encantadora
E foi assim que conheci essa minha musa inspiradora
CÔRO
Se não fosse a capoeira que na senzala eu conheci
Nas mão do capitão-do-mato minha vida teria fim
Luta de libertação
Autor: Baiano
CÔRO
Jogo capoeira, jogo sem parar
Luta de um povo pra se libertar
Lá na Bahia
Noutros tempos de outrora
Uma forma de defesa
Luta pra se libertar
A capoeira foi jogada dentro de mato
Na corrida dos escravos com vontade de lutar
CÔRO
Jogo capoeira, jogo sem parar
No meio da briga vou te fazer dançar
E a polícia já sabendo da disputa
Disse de quem era a culpa
De quem sabia lutar
A capoeira jogou fora,jogou dentro
Cumpriu o seu juramento
Não parou nem um momento
Mesmo para descançar
CÔRO
Jogo capoeira, jogo sem parar
Na ginga da dança vai ter que brigar
E hoje em dia eu te digo quem diria
Essa luta brasileira
Uma dança de terreiro
Comquistou o mundo inteiro
Já é internacional
A nossa lingua na roda já é falada
Com energia até cantada
É uma cultura popular
CÔRO
Jogo capoeira, jogo sem parar
No centro da roda quero ver mandingar
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